São João motiva muitas festas na Madeira e Porto Santo

© Sílvio Mendes

No dia, 24 de junho, este ano num domingo, será celebrada a festa de São João Baptista. Juntamente com Cristo e Nossa Senhora, são os únicos santos que a Igreja assinala no dia do seu nascimento. A maioria dos outros santos a festa é celebrada na data em que se comemora a respetiva morte.

João, o Batista é considerado profeta por três religiões: Cristianismo, Judaismo e Islamismo. Foi o Percursor de Cristo, fazendo a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. Foi ele quem batizou Cristo nas águas do rio Jordão.
Em redor da sua festa há muitas tradições que incluem as ceias, as bentas (colocação de ramos de alecrim e de louro ao ar livre para que na manhã do dia do santo são abençoadas), as sortes (diversas atividades relacionadas com a adivinhação do futuro) e as fogueiras que são ateadas na véspera da festa e saltadas em ambiente de muita animação.
Na Madeira, São João Baptista é festejado nas quatro paróquias de que é padroeiro: Fajã da Ovelha, Álamos, São João (uma das paróquias da Ribeira Brava) e Atouguia e nas capelas de São João da Ribeira, no Funchal, no sítio da Terra Batista, situada no Porto da Cruz; capela da Achada do Cedro Gordo, localizada em São Roque do Faial e na capela de Jesus, Maria, José, situada em Câmara de Lobos.
Também é assinalado nas paróquias de São Martinho, Conceição (Lombada, Ponta do Sol), Rochão (Camacha) e no bairro de São Gonçalo.
São João também motiva festas populares em muitas localidades da Madeira e Porto Santo com destaque para as marchas populares que levam a alegria a milhares de pessoas das mais diversas idades.

Campanário

No Campanário este santo é festejado na capela que o tem como padroeiro e também com a «missa do barqueiro» na igreja, seguida da descida ao Calhau da Lapa dos símbolos do Espírito acompanhados das meninas «saloias», dos tocadores e do pároco, aos quais se juntam também os populares.
Chegado ao calhau, o Espírito Santo começa por fazer a visita às cerca de vinte grutas ali existentes e que serviam de abrigo aos pescadores. Depois é celebrada a missa campal e há o almoço e o convívio que se prolonga pela tarde.

Porto Santo

São João Baptista é o padroeiro da Ilha do Porto Santo, sendo a sua festa motivo para a realização de marchas populares e arraial.
No dia 24 de Junho é celebrada missa na igreja de Nossa Senhora da Piedade, no centro da ilha, seguida de procissão até à Praça do Barqueiro.

Atouguia

Situada na freguesia da Calheta a paróquia do Atouguia, fundada em 1960, tem como padroeiro São João Baptista.
A festa vai realizar-se no dia 24 de junho e a missa principiará pelas 16 horas.
Na véspera às 20 horas será celebrada missa.
Haverá o tradicional arraial madeirense naquela localidade.

São Martinho

Na continuidade de uma tradição com muitos anos a paróquia de São Martinho vai celebrar a festa de São João Baptista no dia 24 de Junho.
Este ano a festa tem a particularidade de coincidir com os 100 anos da dedicação ou inauguração da igreja de São Martinho
A missa começará pelas 17 horas sendo presidida por D. António Carrilho, Bispo do Funchal. No dia 23 a missa da vigília principiará pelas 19 horas.
Será antecedida da procissão do Sagrado Coração de Jesus com saída às 18 horas da igreja velha para  a actual igreja.
O arraial integra marchas populares às 19 horas do domingo 24 de Junho.

Fajã da Ovelha

São João Baptista é o padroeiro da paróquia da Fajã da Ovelha. A festa vai decorrer no domingo 24 de junho.
Terá início às 15 horas com Eucaristia na igreja da Fajã da Ovelha, seguindo-se a procissão
No dia 23 de Junho a missa da vigília principiará pelas 19 horas.

Ribeira Brava

Uma das quatro paróquias madeirenses que têm São João Baptista como padroeiro, situa-se na freguesia da Ribeira Brava.
A festa daquela santo vai ter lugar no dia 24 de junho iniciando-se às 16 horas após o que decorrerá a procissão.
Na véspera às 21 horas principiará a missa da vigília desta festa.

Álamos

A paróquia dos Álamos, situada na freguesia de Santo António – Funchal – vai celebrar a festa de São João Baptista, o seu padroeiro.
Será no domingo 24 de junho iniciando-se a Eucaristia às 17 horas.
No sábado, 23, a missa da vigília principiará pelas 20 horas.
Às 13 horas haverá as romagens com as ofertas dos diversos sítios sendo acompanhadas pela Banda Filarmónica de Santo António.
Após a novena e missa cerca das 21 horas realizar-se-á o desfile de marchas populares com os centros do Galeão, Sagrada Família e Banda de Santo António.
Haverá o típico arraial madeirense.
As novenas de preparação para a festa de São João Baptista estão a decorrer na igreja dos Álamos e são celebradas às 20 horas.

Lombada (Ponta do Sol)

Na Lombada, Ponta do Sol a festa de São João vai decorrer no dia 24 de junho às 16 horas seguida de procissão. Na véspera após a novenas que se iniciará às 20 horas haverá marchas populares.
Haverá arraial com muita animação musical

São João da Ribeira

Na capela de São João da Ribeira, no Funchal, às 20 horas, estão a decorrer as novenas de preparação para a festa daquele santo que será celebrada no dia 24 com início às 18 horas.
Serão dois dias da muita animação assinalando um santo popular.
As marchas populares que vão realizar-se no dia 23 de Junho são um dos motivos de atracção da festa.

Festejar um santo popular

Festa cíclica, de raiz pagã, que assenta, fundamentalmente em “sortes” amorosas, encantamentos e divinações que se devem relacionar, por um lado, com o casamento, a saúde e a felicidade, mas que andam também estreitamente ligadas aos antigos cultos pagãos do Sol e do fogo e às virtudes das ervas bentas, ao orvalho, às fogueiras, à água dos rios, do mar e das fontes.
Quem saltar a fogueira na noite de São  João, em numero ímpar de saltos e no mínimo três vezes, fica por todo o ano protegido de todos os males.
Diz a tradição que as cinzas de uma fogueira de S. João curam certas doenças de pele. Para certos males, são benéficos os banhos que se tomem na manhã do dia de S. João, mas antes do Sol nascer.
Em Beja põem-se, numa tábua, 12 montinhos de sal, aos quais se dão os nomes dos meses.
Passam depois a tábua pelo fumo de uma fogueira e deixam-na ficar toda a noite ao relento da manhã.
Antes de o sol nascer, correm à tábua para examinarem qual dos montinhos de sal está mais húmido, e é então que sabem quais os meses em que choverá mais, segundo os nomes que lhes deram e a humidade de cada um.
Em Trás-os-Montes, acreditava-se que o costume de as raparigas cortarem as pontas do cabelo e, antes do nascer do Sol, as colocarem sobre uma silva mansa fazia com que as pontas não voltassem a espigar.
Por todo o País, criaram-se estas lendas em volta da noite de São João.
Em Lisboa diz-se que se na noite de São João a rapariga põe a mesa com dois pratos, talheres e comida e à meia-noite começa a comer, no lugar vazio surge-lhe a figura do futuro noivo.
No Algarve, segundo a tradição local, enquanto as raparigas dançavam em redor de um mastro enfeitado com madressilva e flores de São João, os rapazes saltavam a fogueira, o que os tornava homens adultos e protegia as crianças das doenças.
As mães passavam por cima das chamas (sem queimar, claro) as crianças doentes ou fracas, e para todos era bom dizer quando saltavam a fogueira.
A noite de São João é considerada mágica desde a Idade Média. Diz-se que as “mouras encantadas” deixam a forma de cobras, com que vivem todo o ano, e vêm à tona da água com figura humana.
Na madrugada de São João vão as mouras estender os seus tesouros à orvalha do campo. Esses tesouros ficam aí encantados sob a forma de figos. Se alguém passa, os apanha e não os come, transformam-se em verdadeiros tesouros.
Se, porém, a pessoa que os apanha os come, reduzem-se logo a carvão.

por: Sílvio Mendes

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