Festa de Santo António com tradição e entusiasmo

© Sílvio Mendes

Na freguesia que tem aquele santo como padroeiro, desde há muitos anos que a festa é motivo de muita animação.

A paróquia de Santo António tem momentos de muita animação no mês de Junho, mais concretamente nos dias 12 e 13, com a realização da festa do seu padroeiro.
Desde sempre que aquela solenidade ali foi celebrada a 13 de Junho no dia litúrgico de Santo António. É uma tradição que noutros tempos motivava ser «dia santo» para os trabalhadores daquela freguesia.

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Maria Fernandes tem 86 anos todos vividos na freguesia em que nasceu (Santo António) e recorda-nos que «quando ainda não havia as paróquias que foram constituídas na freguesia de Santo António as trezenas de preparação para a festa de Santo António eram custeadas pelos moradores nos vários sítios. Durante treze dias havia arraial com actuações de bandas filarmónicas e a igreja era ornamentada com flores e verduras com destaque para as açucenas brancas, as avencas e os cravos. Havia muita competição entre os sítios de tal modo que as flores eram retiradas no fim de cada dia e substituídas por novas do sítio que se seguia»

Acrescenta ainda que «também o tempo das girândolas do meio dia era medido para ver qual o sítio que dava mais fogo».

No adro as ornamentações eram feitas à base de verduras como o bucho e o louro que deixavam um agradável cheiro.

No dia 10 de Junho realizavam-se as romagens para os bazares e como nos disse Maria Fernandes «havia muito entusiasmo na oferta de bolos semilhas, batatas, cachos de banana, flores, animais,  entre eles galinhas, ovelhas, cabritos e até vacas. Os bazares no adro enchiam-se destes produtos que eram leiloados».

No adro e arredores o arraial eram sempre «forte» e a nossa interlocutora lembra-se que «num certo ano, na década de 50 na véspera de Santo António houve sete bandas a tocar em diverso pontos da freguesia que estava iluminada por gambiarras que lhe davam um aspecto deveras festivo».

O dia da festa de Santo António era muito especial pois os mordomos iam logo de manhã até ao Pico dos Barcelos e depois da girândola desciam até à igreja acompanhados com a banda filarmónica.

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Depois da missa da festa realizava-se a procissão e nos anos em que a imagem grande de Santo António saia, o que acontecia de 50 em 50 anos era transportada num andor especial por elementos da Juventude Católica Antoniana e participada por centenas de pessoas.
Nos caminhos uma multidão assistia à passagem da procissão e muitos pedidos eram feitos ao santo. Outros agradeciam as graças recebidas.

No regresso à igreja a imagem era motivo de muita devoção em especial por raparigas solteiras que lhe pediam um noivo que «fosse bom rapaz e se possível com dinheiro».

Um dos modos desses pedidos era picar a imagem de Santo António com alfinetes e de lhe deixar bilhetinhos a pedir a graça desejada.

Com o tempo a situação foi sendo alterada mas ainda actualmente a festa de Santo António é uma das mais participadas da Madeira.

Na Madeira existem mais e dezoito  capelas erguidas a Santo António: em Santana (último quartel do séc. XVI), na Ribeira Brava (1696), em Santa Maria Maior (1682), na Ponta do Sol (1853), na vila da Ponta do Sol (data desconhecida), no lugar de Baixo, Ponta do Sol (data desconhecida, reconstruída nos fins do séc. XIX), na Calheta (data desconhecida), no pátio da Alfândega, no Funchal (1714), na antiga R. da Laranjeira (data desconhecida), no Monte (1718), em Santa Luzia (1727), no Curral das Freiras (fins do séc. XVI), no Estreito de Câmara de Lobos (1705), no Arco da Calheta (1724), em Machico (data desconhecida), na Ponta Delgada (data desconhecida), no Porto da Cruz (1760), na Quinta Grande (1883). Há cerca de 21 capelas dedicadas a Santo António em toda a diocese do Funchal.

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Santo António, além de português, também é franciscano. O seu culto na Madeira é uma herança da espiritualidade e da acção da pastoral dos franciscanos que atenderam as populações durante os primeiros 90 anos de povoamento da ilha.Santo António como santo do povo continua a atrair multidões no mês de Junho.

por: Sílvio Mendes

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