Os 10 jogadores com mais jogos pelo Nacional na I Divisão

Patacas, João Aurélio, Cléber, Ávalos, Mateus, Felipe, Lopes, Alonso, Diego e Barcelos

Promovido à I Liga por decisão da direção da Liga Portugal em virtude de se encontrar na liderança da II Liga à data da suspensão dos campeonatos, o Clube Desportivo Nacional vai regressar a um patamar competitivo em que competiu por 19 vezes na sua história.

Fonte: davidjosepereira.blogspot.com

A presença do emblema insular entre a elite do futebol português é relativamente recente. Apareceu na I Divisão no final da década de 1980 e reapareceu em 2002-03, mas já conquistou, com toda a certeza, o estatuto de histórico dos relvados nacionais.
Afinal, conseguiu cinco qualificações europeias e terminou no Top10 por onze vezes entre 2004 e 2015. Mesmo perante um Sp. Braga a assumir o papel de quarto grande, alcançou o 4.º lugar em 2003-04 e 2008-09, com Casemiro Mior e Manuel Machado ao leme, respetivamente. Menções honrosas para a 5ª posição de 2005-06 e 2013-14 (ambas com Machado) e a 6ª de 2010-11 (Jokanovic/Ivo Vieira).
A um clube que animou o inicio do século XXI no futebol português, faltou a presença numa final. E esteve bem perto de acontecer por quatro ocasiões, pois os alvinegros caíram nas meias-finais da Taça de Portugal em 2008-09, 2011-12 e 2014-15 e nas da Taça da Liga em 2010-11. Uma falha no palmarés encoberta por uma gracinha europeia, ao eliminar o Zenit da Liga Europa em 2009-10.
Mesmo sem uma falange de apoio numerosa, o Nacional tirou proveito do fator casa como poucas equipas na I Liga. Nevoeiro à parte, a mítica Choupana serviu de autêntica fortaleza aos madeirenses. Em 2003-04, os nacionalistas terminaram o campeonato com o melhor ataque caseiro da prova, com 43 golos em 17 jornadas (média de 2,53 por jogo), mais quatro do que o FC Porto de… José Mourinho. Nessa época, nenhum dos três grandes passou no Estádio da Madeira, anteriormente denominado Estádio Engenheiro Rui Alves. Apenas duas derrotas, as mesmas de 2008-09, 2009-10 e 2013-14. E em 2002-03, 2005-06 e 2014-15 foram somente três. Números de equipa poderosa.
Naquela que era considerada uma das deslocações mais difíceis durante as temporadas dos derradeiros 18 anos, o Benfica saiu de lá quatro vezes com a derrota (empatou duas), o Sporting três (empatou oito) e o FC Porto duas (três empates). Os leões, inclusivamente, estiveram quase seis anos sem vencer na Choupana, entre setembro de 2006 e abril de 2012.
E se contabilizarmos os jogos dos madeirenses nos terrenos dos três grandes, também se encontram feitos assinaláveis, como o encontro que ditou a derrota mais pesada de sempre dos portistas no Estádio do Dragão (0-4), em 2004-05. Um feito quase repetido três anos mais tarde (0-3).
Nestas duas últimas décadas, passaram pelo Nacional alguns jogadores com registo assinalável. O feito mais visível foi da autoria do brasileiro Nenê, em 2008-09, que com 20 golos apontados conquistou a Bola de Prata, o troféu de melhor marcador da I Liga.
Em 19 presenças, 264 futebolistas representaram o Nacional da Madeira no patamar maior do futebol português. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes.

10. Aly Ghazal (108 jogos)

Médio defensivo egípcio de elevada estatura (1,90 m), chegou à Choupana em janeiro de 2013, proveniente do Wadi Degla, do seu país, e por lá ficou durante quatro anos.
Bom recuperador de bolas, rapidamente conquistou a titularidade, tendo disputado 108 jogos na I Liga (102 como titular), tendo apontado um golo, ao Gil Vicente, em abril de 2015. Nessa época esteve na caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal e um ano antes contribuiu para a obtenção do quinto lugar e consequente apuramento para a Liga Europa. Paralelamente, em 2014 foi eleito jogador egípcio revelação a atuar na Europa e tornou-se internacional pelo seu país.
Jogador com muito mercado, foi apontado a clubes como Sporting, FC Porto, Parma, Anderlecht e Hamburgo nos verões de 2014 e 2015, mas apenas deixou o Nacional em janeiro de 2017, tendo rumado aos chineses do Guizhou Zhicheng e meio ano depois aos canadianos do Vancouver Whitecaps, que competem na Major League Soccer. Em janeiro de 2019 regressou a Portugal para representar o Feirense e desde o verão do ano passado que veste a camisola dos gregos do Larissa.

9. Mario Rondón (108 jogos)

Disputou 108 jogos tal como Aly Ghazal, mas esteve em campo mais 624 minutos – 8.441 contra 7.817. Avançado móvel venezuelano desde os 18 anos radicado em Portugal, começou o seu trajeto no futebol sénior na ilha da Madeira, mas com a camisola do Pontassolense, tendo passado ainda por Paços de Ferreira e Beira-Mar antes de chegar à Choupana, no verão de 2011.
Logo na época de estreia marcou 10 golos em 29 jogos (26 a titular) no campeonato, tendo contribuindo ainda para a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal. A boa campanha valeu-lhe as primeiras chamadas às convocatórias da seleção da Venezuela, tendo participado na fase de apuramento para o Mundial 2014.
Em 2012-13 apontou apenas quatro golos em 28 jogos (26 a titular), mas na temporada seguinte redimiu-se, com 12 remates certeiros em 30 partidas (27 a titular), ajudando os alvinegros a obterem o quinto lugar e o consequente apuramento para a Liga Europa. Já em 2014-15 participou no percurso até às meias-finais da Taça de Portugal e marcou cinco golos em 21 jogos (17 a titular) na I Liga, mas em fevereiro mudou-se para os chineses do Shijiazhuang, numa fase em que já estava a viver na sombra de Lucas João.
Entretanto voltou à Europa e desde o verão do ano passado que representa os romenos do Cluj.

8. Diego Barcelos (109 jogos)

Médio criativo, também capaz de atuar nas alas, reforçou pela primeira vez o Nacional em janeiro de 2010, proveniente dos chineses do Guangzhou Evergrande, e ao longo de quatro anos e meio assumiu um papel importante na manobra ofensiva da formação madeirense.
Depois de três golos em sete jogos (cinco a titular) no campeonato na (meia) época de estreia, contribuiu para a obtenção do sexto lugar e consequente apuramento europeu em 2010-11, tendo disputado 24 partidas (23 a titular) e marcado quatro golos, além de ter ajudado os nacionalistas a chegar às meias-finais da Taça da Liga. Na temporada seguinte participou em 26 encontros (23 a titular) e marcou um golo na I Liga e contribuiu para a caminhada da equipa até às meias-finais da Taça de Portugal.
Depois foi perdendo algum espaço. Em 2012-13 disputou 21 jogos (16 a titular) e marcou quatro golos, entre os quais um ao Benfica, e na época que se seguiu competiu em 25 desafios (14 a titular) e somou seis remates certeiros, entre os quais um ao Sporting, e contribuiu para a obtenção do quinto lugar e consequente qualificação para a Liga Europa.
Entretanto passou pelos campeonatos de Chipre e Tailândia, voltou ao Brasil, passou pelo Varzim e regressou ao Nacional no verão de 2017 para representar os insulares na II Liga. Já sem o fulgor de outrora, deu um pequeno contributo para a subida de divisão e em 2018-19 voltou a jogar no patamar maior do futebol português, mas apenas por seis vezes (uma a titular).
“Foram épocas de muitas vitórias, e é desse Nacional que sempre irei lembrar. Deixo o clube num momento menos bom, mas com a consciência tranquila que dei o meu melhor sempre, e assim como num passado recente, acredito que o clube irá levantar-se e voltará a ocupar os lugares de onde nunca deveria ter saído! Um obrigado especial aos adeptos, que sempre me respeitaram, e nunca deixaram de apoiar a equipa”, afirmou, na hora da despedida, antes de voltar ao Brasil para vestir a camisola do Grêmio Esportivo Bagé.

7. Alonso (109 jogos)

Disputou 109 jogos tal como Diego Barcelos, mas esteve em campo durante mais 1.856 minutos – 8.980 contra 7.124. Lateral esquerdo brasileiro de propensão ofensiva, chegou à Choupana em janeiro de 2005, oriundo do Paysandu, com o intuito de fazer esquecer Rossato, que tinha rumado ao FC Porto.
Embora tenha começado como suplente de Cleomir, rapidamente conquistou um lugar no onze, indo a tempo de disputar nove jogos (seis a titular) e marcar três golos no campeonato, incluindo um numa história vitória por 4-0 no Estádio do Dragão.
Na época seguinte a concorrência de Miguelito retirou-lhe protagonismo, mas ainda assim disputou 23 encontros (19 a titular) e marcou dois golos, contribuindo para o apuramento para a Taça UEFA.
Depois o português rumou ao Benfica e Alonso foi dono e senhor do lado esquerdo da defesa nas três épocas que se seguiram, tendo participado em 77 encontros (76 a titular) e marcado quatro golos nesse período, ajudando os madeirenses a apurarem-se para a Liga Europa em 2009.
Em 2009 mudou-se para o vizinho Marítimo e dois anos depois voltou ao Brasil.

6. Felipe Lopes (114 jogos)

Central brasileiro oriundo dos belgas do Anderlecht, chegou à Madeira no verão de 2007, mas viveu a primeira temporada na sombra de Ricardo Fernandes e Fernando Cardozo, disputando apenas sete jogos (seis a titular).
Na época seguinte Ricardo Fernandes rumou ao Rapid Bucareste e Fernando Cardozo ao Marítimo, o que abriu espaço a Felipe Lopes, que formou uma dupla sólida com Maicon em 2008-09, tendo participado 25 encontros (24 a titular) e marcado um golo, ao rival Marítimo, contribuindo para a obtenção do quarto lugar, que valeu o apuramento europeu, e para a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal.
Seguiram-se mais dois anos e meio na Choupana, nos quais 66 partidas (todas a titular) no campeonato e apontou três golos, tendo contribuído para a qualificação para a Liga Europa em 2011 e para os percursos até às meias-finais de Taça da Liga em 2010-11 e Taça de Portugal em 2011-12.
Em janeiro de 2012 mudou-se para o Wolfsburgo, uma das principais equipas da Alemanha na altura, mas foi pouco feliz, muito por culpa das constantes lesões, e em 2016 voltou a Portugal pela porta do Desp. Chaves.
Um ano depois regressou ao Nacional e, embora sem o fulgor de outrora, contribuiu para a promoção à I Liga em 2017-18, seguindo-se 14 jogos (13 a titular) no primeiro escalão na época seguinte.
Hoje, aos 32 anos, continua vinculado aos alvinegros, mas não disputou qualquer jogo em 2019-2020.

5. Mateus Galiano (117 jogos)

Extremo ou atacante móvel internacional angolano, reforçou o Nacional no verão de 2008, após deixar o Boavista, que tinha acabado de ser despromovido devido ao caso Apito Dourado, e dois anos após ter sido protagonista do Caso Mateus, que atirou o Gil Vicente para II Liga.
Apesar do mau presságio, a sorte de Mateus e dos clubes que ele representa mudou. Em cinco anos e meio na Choupana, foi sempre uma peça importante nos alvinegros, embora os problemas físicos e as chamadas à Taça das Nações Africanas a meio das épocas lhe quebrassem o ritmo.
Logo na temporada de estreia, em 2008-09, formou uma grande dupla com Nenê, que se sagrou melhor marcador do campeonato. Já Mateus disputou 28 jogos (19 a titular) e marcou cinco golos na I Liga, ajudando os nacionalistas a obter o 4.º lugar na tabela classificativa e consequente apuramento para a Liga Europa, além de ter contribuído para a caminhada até às meias-finais da Taça de Portugal.
Na época seguinte sofreu uma grave lesão em dezembro que o afastou dos relvados durante o resto do campeonato, tendo apenas participado em oito encontros (seis a titular) e apontado dois golos.
Em 2010-11 também teve alguns problemas físicos na fase inicial, mas foi a tempo de competir em 23 partidas (17 a titular) e a faturar por duas vezes, entre as quais uma ao Sporting, tendo contribuído para a obtenção do sexto lugar e consequente apuramento europeu, assim como para a caminhada até às meias-finais da Taça da Liga.
A temporada que se seguiu foi a melhor da carreira em termos de números, uma vez que apontou nove golos no campeonato em 24 desafios (23 a titular), tendo também ajudado o Nacional a chegar às meias-finais da Taça de Portugal – pelo meio ainda esteve no CAN 2012.
Em 2012-13 voltou a estar em bom plano, apontando oito golos em 25 partidas (16 a titular), tendo mais uma vez participado na Taça das Nações Africanas a meio da época.
Na sexta e última época na Choupana só ficou no clube até dezembro, tendo disputado nove jogos (quatro a titular) e marcado dois golos até rumar aos angolanos do 1º Agosto, colocando um ponto final numa aventura com a camisola alvinegra na qual somou 31 remates certeiros na I Liga.
Em janeiro de 2016 regressou a Portugal para representar o Arouca e desde 2017-18 que está novamente vinculado ao Boavista.

4. Ávalos (131 jogos)

Central/médio defensivo que entrou em Portugal pela porta do Boavista em janeiro de 2002, assinou pelo Nacional um ano e meio depois, iniciando no verão de 2003 um percurso que só terminaria no início de 2008.
Titular indiscutível ao longo de quatro anos e meio, formou dupla com João Fidalgo, Fernando Cardozo, Ricardo Fernandes no eixo defensivo dos alvinegros, tendo disputado 131 encontros (128 a titular) e marcado três golos no campeonato.
Em 2003-04 desempenhou um papel importante na obtenção do quarto lugar, que na altura valeu a primeira qualificação dos insulares para as competições europeias. Dois anos depois também foi relevante para novo apuramento para a Taça UEFA, através da quinta posição na tabela classificativa na I Liga.
Em janeiro de 2008 rumou aos alemães do Duisburgo, mas haveria de voltar a Portugal. Primeiro para o Belenenses em 2008-09, depois para a ilha da Madeira. Em 2010-11 representou o Camacha e entre 2011 e 2014 vestiu as cores do União da Madeira. Nessa altura algumas vezes perto de voltar ao Nacional, algo que não chegou a concretizar-se.
Entretanto encerrou a carreira de jogador em Angola, no Bravos do Maquis, passando depois para treinador adjunto da formação de Luena.

3. Cléber Monteiro (182 jogos)

Médio defensivo recrutado ao Cruzeiro no verão de 2003, foi um dos esteios do período áureo do Nacional da Madeira. Titular indiscutível seis das sete temporadas em que vestiu a camisola alvinegra, marcou quatro golos em 182 jogos (170) a titular – curiosamente, todos os remates certeiros ocorreram na mesma época em 2008-09.
Peça intocável para treinadores como Casemiro Mior, João Carlos Pereira, Manuel Machado ou Jokanovic, esteve nas campanhas que culminaram nos dois quartos lugares da história do clube, em 2003-04 e 2008-09, que valeram o apuramento para as competições europeias, tal como a quinta posição alcançada em 2005-06. Paralelamente, também foi parte integrante da equipa que chegou às meias-finais da Taça de Portugal em 2008-09.
Após sete anos na Choupana, deixou os nacionalistas rumo ao Vitória de Guimarães no verão de 2010, quando já tinha 30 anos. Após uma época no D. Afonso Henriques passou pelo futebol espanhol e depois regressou ao Brasil, onde pendurou as botas.

2. João Aurélio (186 jogos)

Lateral direito/médio natural de Beja, concluiu a formação no Vitória de Guimarães, mas, quando ascendeu a sénior, saiu para o Penalva do Castelo. A época na II Divisão B correu-lhe bem, ao ponto de ter sido chamado à seleção nacional de sub-20 e de ter dado o salto para o Nacional da Madeira no final da época.
Esteve na Choupana durante oito anos, atingido o estatuto de capitão e partilhado o balneário novamente com o irmão Luís, com o qual já não jogava desde os tempos do Despertar, ainda nas camadas jovens. Enquanto jogador dos alvinegros, disputou 186 jogos (139 a titular) e marcou seis golos no campeonato, tendo contribuído para os apuramentos para a Liga Europa em 2009, 2011 e 2014 e para as campanhas até às meias-finais da Taça de Portugal em 2008-09, 2011-12 e 2014-15, assim como para o percurso até às meias-finais da Taça da Liga em 2010-11.
No verão de 2016 deixou o Nacional, tal como o irmão Luís, mas enquanto o mano rumou ao Feirense, João regressou a Guimarães. Após duas épocas no Vitória, mudou-se para o vizinho Moreirense no início da temporada 2018-19.

1. Patacas (227 jogos)

Lateral Direito: Uma das figuras mais emblemáticas da história do clube. Formado no Sporting, mas sem espaço em Alvalade, foi emprestado a Lourinhanense, Santa Clara e Campomaiorense até se libertar dos leões e assinar a título definitivo pelo então recém-promovido Nacional da Madeira no verão de 2002.
Em nove anos na Choupana, foi quase sempre titular, tendo apenas começado a perder espaço para Claudemir na última temporada, 2010-11, quando já tinha 33 anos. Parte integrante do período mais áureo da história do clube, contribuiu para a obtenção do quarto lugar, a melhor classificação da história dos alvinegros, em duas ocasiões, em 2003-04 e 2008-09. Esteve igualmente nos apuramentos europeus em 2006 e 2011, assim como no percurso até às meias-finais da Taça de Portugal em 2008-09 e na caminhada até às meias-finais da Taça da Liga em 2010-11. Em 227 jogos pelos insulares no campeonato, foi titular em 223, tendo apontado quatro golos.
Após pendurar as botas tornou-se diretor desportivo dos nacionalistas, experiência que durou até setembro de 2015.