Comunidade madeirense na África do Sul manteve tradições de Natal

Os emigrantes madeirenses radicados na África do Sul viveram com intensidade o tempo do Natal.

O jornal «Século de Joanesburgo» faz referência a este tema no texto que, com a devida vénia, apresentamos: «Na noite de Natal e antes da Missa do Galo, celebrada na Igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Luttig Street, em Pretória West, pelo pároco Frei Lameque André Michangula e o seu colega Gilberto Teixeira, os fiéis que a ela assistiram terão vivido momentos de grande alegria em sentimento religioso, pelas demonstrações que a antecederam, dos Anjos, Maria e José a anunciarem a chegada do Deus Menino, seguido das romagens, com desfile desde a entrada principal da igreja até ao presépio colocado à frente do altar, onde cada uma delas – a dos Pastores, Unidos de Pretória, e Amigos de S. George, entoaram no trajecto, com sucessivas paragens por entre a assistência, os versos escolhidos para essa romagem, acompanhados em música ao vivo pelos tocadores de acordeão, Goretti Rodrigues e Cláudio Alho, com o Frei Lameque à viola, foram depositados alguns presentes no presépio, junto ao altar.
É uma tradição vivida com muita fé, na noite de 24 de Dezembro, em toda a Ilha da Madeira, com vários grupos a cantarem com grande alegria o nascimento do Deus Menino, em que cada lugar traz as suas ofertas e entoam cânticos próprios alusivos à vinda do Messias, o Salvador, precisamente e como cópia fiel, os que oriundos dessa Pérola do Atlântico, tentam em Pretória dar-lhe seguimento, e ao mesmo tempo procuram transmitir às novas gerações.

Como tal e em relação às apresentadas desde há muito, em cada Noite de Natal, em Pretória West, além da dos Pastores, que vem sendo organizada e ensaiada por Maria da Luz de Jesus, com a estreita colaboração de Maria Inês Balanco e outras dedicadas senhoras, não podem ser ignorados os grandes entusiastas das duas principais romagens, na dos “Unidos de Pretória” Fernanda Chadinha, esta que natural do Estreito da Calheta, onde nasceu a 7 de Janeiro de 1927, casou a 9 de Novembro de 1946 com José Chadinha, e viajando para a África do Sul no navio Pátria, a fim de se juntar a seu marido, infelizmente falecido a 7 de Setembro de 2003, chegou a Cape Town a 23 de Maio de 1961, e não obstante a sua já considerada avançada idade, graças à sua lucidez e grande força de vontade, como senhora respeitada por todos quantos a conhecem, tem primado desde há mais de 40 anos organizar em cada noite de Natal a sua romagem e com ela a contribuir com as significativas quantias que vai angariando, este ano a chegar aos 50 e três mil randes, daí e em relação à sua grande fé e inabalável coragem, ser digna da nossa estima e admiração. No respeitante à dos “Amigos de São George”, nestes últimos anos organizada por João da Cruz de Jesus, outro grande entusiasta que natural de Ponta Delgada, Ilha da Madeira, e radicado desde muito novo em Pretória, vem desde a sua infância participar em romagens do género nesta igreja de Santa Maria, uma pessoa há muitos anos ligada pela sua actividade profissional à nossa comunidade, diremos desde os tempos do velho S. Pedro Café, em Mitchell Street, de Pretória West, primeiro como empregado, e mais tarde como um dos directores daquele grande estabelecimento comercial, que pelo seu carácter, aliado à grande experiência ali adquirida, o terá lançado para o sucesso que a nível empresarial hoje desfruta e o tornou conhecido e respeitado, na nossa e outras comunidades.

Como se costuma dizer por detrás de um grande homem está uma grande mulher, precisamente o que acontece com este casal, desde há muitos anos ligado à igreja de Santa Maria dos Portugueses, em Pretória West, ambos para além de outros cargos que exercem na paróquia, são membros do seu grupo coral, Maria da Luz de Jesus como maestrina, categoria essa que também exerce no grupo coral da Universidade Sénior Boa Esperança, dai e pela sua competência em arte musical, ter chamado a si a organização das marchas populares realizadas pelos Santos Populares, nesta mesma igreja católica portuguesa, onde desde há algum tempo a esta parte, finda a missa dominical das nove horas da manhã, e ajudada por outras dedicadas senhoras vem promovendo numa das entradas para o salão de festas da paróquia um ligeiro convívio, onde além de bifanas e alguma doçaria, acompanhados de café e chá, por vezes uma apetitosa sopa, com a poncha que simultaneamente ali é servida, da autoria de seu marido João de Jesus.

Quanto aos donativos que vai oferecendo à igreja de Santa Maria em cada romagem de Natal, este ano a bater o recorde, já que atingiu os oitenta e um mil randes, na sua maior parte, a par de algumas ofertas individuais, angariados em convívios mensais que vai promovendo com amigos pessoais, na sua residência em Wonderboom, com a estreita colaboração de sua esposa Maria da Luz em serviço de cozinha, chamando a si a confecção de boas especialidades da nossa gastronomia, onde cada participante vem oferecendo de sua livre vontade, o donativo que muito bem entende, por aqui se vendo a enorme vontade do casal em colaborar com esta igreja católica de Santa Maria, onde neste último almoço, ali servido a 17 de Dezembro, feriado nacional na África do Sul, voltamos a admirar o grande presépio que em cada quadra de Natal é montado por ela, em sua casa, pelo esquema de montagem e milhares de figurantes, o maior que do género temos visto».