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Segunda-feira, Maio 17, 2021
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O que está a fazer a OMS em relação à pandemia?

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Numa altura em que o mundo atravessa uma pandemia, a Organização Mundial de Saúde luta na coordenação de uma resposta global à Covid-19. Desde o planeamento de uma estratégia à prestação de ajuda aos diferentes países, a organização expõe o modo de operação num cenário pandémico.
Nos últimos dias, muitos têm defendido a Organização Mundial de Saúde (OMS) no sentido em que desempenha um papel crucial na luta contra a pandemia. Mas afinal, em que consiste e qual o papel desta organização?
Fonte: rtp.pt
Fundada em 1948, a organização especializada em saúde apresenta na sua Constituição que o principal objetivo “é alcançar o mais alto nível possível de saúde para todos os povos”, tendo em conta que “a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de uma doença ou enfermidade”.“A OMS trabalha em todo o mundo para promover a saúde, manter o mundo em segurança e servir os vulneráveis”, escreve ainda a organização na sua página online oficial.“O nosso objetivo é garantir a cobertura universal de saúde a mais mil milhões de pessoas, proteger mais mil milhões de pessoas de emergências de saúde e proporcionar uma melhor saúde e bem-estar a mais mil milhões de pessoas”, acrescenta a organização.A OMS é, assim, responsável por coordenador os esforços internacionais para controlar surtos e cooperar com projetos que ajudem a tratar essas mesmas doenças.

Liderada atualmente por Tedros Adhanom Ghebreyesus, esta organização é composta por 194 Estados-membros que nomeiam delegações para a Assembleia Geral da Saúde Mundial, o corpo decisor supremo.
Como opera em emergências?
Na sua carta de apresentação, a OMS diz que em emergências de saúde, o foco está na melhoria do acesso a serviços essenciais de qualidade, a medicamentos básicos e produtos de saúde e trabalhar no sentido de financiamento sustentável e proteção financeira. O seu papel neste tipo de emergências, explica a organização, é liderar e coordenar o esforço global estabelecendo-se em quatro etapas: preparar, prevenir, detetar e responder.

No relatório anual de 2018 sobre o trabalho da OMS em emergências, a organização explica que quando é detetada uma ameaça à saúde pública, os primeiros passos passam por classificar a gravidade dessa emergência e, posteriormente, ativar uma equipa de gestão de incidentes e disponibilizar assistência média e equipamentos de proteção nos próprios locais.

“A OMS está comprometida em salvar vidas e reduzir o sofrimento em tempos de crise”, acrescenta a organização. Para isso conta com contribuições voluntárias dos Estados-membros e de outros parceiros para financiar o seu trabalho.

Neste campo, o Fundo de Contingência para Emergências (CFE) fornece à OMS os recursos para responder a surtos e crises humanitárias.
O que está a fazer a OMS em relação à Covid-19?
No caso concreto da Covid-19, a organização diz estar a ajudar na resposta à pandemia ao acelerar as pesquisas sobre a mesma, ajudar os países na sua preparação e resposta, coordenar a resposta global e comunicar às pessoas como se protegerem a si próprias e aos outros e combater a desinformação.

No seu plano estratégico de preparação e resposta ao novo coronavírus atualizado no passado dia 14, a OMS apresenta as medidas de saúde pública que a comunidade internacional está disposta a fornecer para apoiar todos os países na resposta à pandemia.

Neste documento, a OMS apresenta uma estratégia global, onde o objetivo principal é que todos os países controlem a pandemia, abrandando a transmissão e, consequentemente, reduzindo a mortalidade associada à Covid-19. Mas também apresenta um conjunto de estratégias nacionais onde direciona conselhos a todos os países no sentido de ajudar a combater a pandemia.

Entre estas linhas orientadores, a OMS apresenta seis critérios que os países devem seguir antes de decidirem suspender as medidas de contenção em vigor, numa altura em que vários países começam a preparar o regresso à normalidade.

Para além destas diretrizes, a OMS acrescenta que a resposta também abrange a aquisição e fornecimento de materiais. A organização diz ter enviado milhares de materiais de proteção para profissionais de saúde e 1,5 milhões de kits de testes de coronavírus para todo o mundo.

A Organização Mundial de Saúde está também a coordenar pesquisas para possíveis tratamentos para a Covid-19 com a colaboração de 74 países. A 13 de abril, a OMS comunicou que um grupo de especialistas, coordenados pela própria organização, estão a cooperar na busca de uma vacina contra a Covid-19.

Ao mesmo tempo, mais de metade dos funcionários da OMS está a trabalhar no terreno, ao fornecer atualizações em tempo real, conhecimento e coordenação.
Mais de 356 milhões angariados
Relativamente ao financiamento, a organização explica que este plano estratégico exigia um capital de 675 milhões de dólares, dos quais cerca de 61 milhões seriam aplicados em atividades urgentes de preparação e resposta da OMS para o período de fevereiro a abril de 2020.

De acordo com um gráfico na página oficial, a Organização Mundial de Saúde já recebeu uma ajuda monetária superior a 356 milhões de dólares. A Holanda, a Alemanha e a Dinamarca são os países que contribuíram com um maior financiamento ao CFE para ajudar na resposta à Covid-19. Na quarta-feira, a Casa Branca anunciou o corte de financiamento à OMS. Donald Trump acusa a organização de encobrir o papel da China no surgimento do surto.

A OMS disponibiliza ainda um fundo solidário em resposta à pandemia. As doações, explica a organização, destinam-se a “apoiar o trabalho da OMS, inclusivamente com colaboradores, na monitorização e compreensão da propagação do vírus; garantir que os pacientes recebem os cuidados de que precisam e que os trabalhadores da linha da frente obtêm materiais e informações essenciais e acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de uma vacina e tratamentos para todos os que necessitam”.

Até ao momento, em resposta à Covid-19, a OMS já desbloqueou 10 milhões de dólares do CFE para atividades urgentes de preparação e resposta em todo o mundo.

Detetado inicialmente em novembro da China, o novo coronavírus propagou-se ao longo dos meses seguintes por vários países, levando a Organização Mundial de Saúde a classificar a Covid-19 como pandemia no início de março.

Em todo o mundo, a Covid-19 já fez mais de 139 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas.